por Bertolt Brecht
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Encontrei esse texto como sendo uma das máximas do (não) exercício da cidadania. Aí pensei: caramba, eu sou a maior analfabeta política que existe. Credo! E por que?
Porque detesto política (partidária). Ao menos essa política que se apresenta e não sei se existe outra...
E simplesmente não sei, e a quem pergunto também responde que não, o que fazer para ser realmente uma cidadã* (quem exerce os direitos e deveres políticos).
A política tem como objetivo a ordem pública e a defesa do território nacional e o bem social da população.
Ótimo conceito de política, não? Sou formada em Serviço Social e vejo que na política, na prática, é possível encontrar o puro assistencialismo, e/ou, a 'filosofia da esquerda' (a crítica pela crítica). Mas, de prático e que realmente possibilite o bem social da população... esqueça! Ou, você acredita que 'dar esmolas' contando com a certeza de se manter no poder é promover o bem social?
Essa política assistencialista, a meu ver, tem caráter aniquilador, porque mantém, ou ainda, coloca a pessoa numa situação pior do que a que ela está. Não o ajuda, não o ensina a buscar a sua autonomia, a parar de depender da 'ajuda' pública. Dependência essa proposital e que mantém os políticos nos seus postos e aos invés de servirem, serem servidos (às custas da miséria de muitos, claro).
AUTONOMIA. Tá aí um sinônimo, ao menos prá mim, de cidadania.
E o que o texto acima promove na busca dessa autonomia?
A meu ver, nada. Apenas, mera crítica pela crítica, vã filosofia.
Cadê a ação de verdade?
"Conscientizar" as pessoas de que elas precisam participar dos acontecimentos políticos, seja votando, se filiando a um partido, sabendo do custo de vida... ??? SOCORRO!!! Isso só mantém o status quo, pura demagogia.
Por isso acredito que o que realmente liberta uma pessoa da miséria, da dependência alheia, da humilhação de depender de esmolas do governo, da ignorância de esperar queos outros façam alguma coisa, resolvam as suas vidas... é o autoconhecimento.
É assumir de fato a responsabilidade pela sua vida, parar de ser uma vítima do sistema e se tornar uma pessoa independente.
Quer uma sugestão prática? Pare, por um 'diazinho' só, de reclamar.
Experimente, não reclame de nada... pelo contrário, agradeça!
Pare de reclamar da crise (porque muitas virão), do governo, do vizinho, do mau tempo, de se vitimizar e esperar que alguém que não você mesmo, te salve! Invista esse tempo para aprender coisas novas; reclamar só vai te manter onde você está.
Como disse G. Chidvilasananda:
“Embora a princípio não pareça uma obra social, na verdade, esta transformação do indivíduo, através da meditação (autoconhecimento), constitui a mais elevada forma de obra social. Quando cada indivíduo leva a sua transformação para o local onde vive e trabalha, ele realiza um grande serviço à humanidade.”
E se por acaso um dia eu encontrar alguma ação política (ou seria partidária?) que valha à pena eu acreditar, pode ter certeza que eu deixarei de ser analfabeta.
Por enquanto...
E voltando ao texto... eu diria que o pior analfabeto é o analfabeto de si mesmo!
Marcia Zen
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